Entrevista com Zilah Ramires Ferreira, autora de “O menino azul e a família colorida”

Sao Paulo, SP, Brasil. (Foto: Maria do Carmo)

A Equipe da Editora Contracorrente preparou uma entrevista especial com Zilah Ramires Ferreira, a autora do primeiro livro infantil do selo Do Contra: O menino azul e a família colorida.

Confira abaixo um pouco mais sobre esse lançamento, que já está em pré-venda no nosso site através deste link.

1 – Zilah, O menino azul e a família colorida é seu primeiro livro ? Conte-nos um pouco sobre sua história.

É meu primeiro livro infantil, meu filho-livro único, por enquanto, e como todo filho é impossível não ter orgulho dele.

O livro nasceu da minha necessidade de recontar para o Caio a nossa história e como os autistas precisam de recursos concretos, achei que um livro com ilustrações seria um  recurso ideal. Enfim, a estória nasceu da nossa história e se tornou uma forma de contar e recontar tudo de bom ou difícil que nos aconteceu de uma maneira resumida, lúdica e positiva.

2 – Você pode nos falar sobre a experiência de escrever um livro infantil? Quais foram os principais desafios desse trabalho?

Ele não nasceu livro e sim como um recurso de comunicação entre mãe e filho. Tive a grata surpresa de descobrir que esse recurso podia ser aproveitado por outras famílias, que viveram, vivem ou viverão essa mesma história e podem contar com um final feliz, não como resultado, mas como aceitação, pois nos tornamos perfeitos um para o outro.

Sou sinceramente mais feliz depois que me tornei mãe do Caio e da Duda e isso não significa que temos uma vida fácil, sem altos e baixos.

3 – Sabemos que o livro é muito pessoal, que tem muito da sua experiência. Agora sua mensagem vai chegar a mais famílias e ser conhecida por muitas crianças. Qual o sentimento e as expectativas sobre esse momento da sua carreira?

Minha ambição não é de carreira, mas de comunicação, interação com outras famílias e crianças e de promover a inclusão. Não posso exigir que o olhar sobre a condição de autista mude se o meu olhar e sentir não avançar. Estou me abrindo e deixando que outras pessoas nos conheçam para poder conhecer outras famílias e crianças azuis. Estou em busca de aventura.

4 – Como se deu o contato com a ilustradora Lúcia Brandão? Como foi a produção das ilustrações e o nascimento do livro como um todo?

Pedi ajuda ao meu primo Rodrigo Valim para materializar as imagens descritas no texto e ele me recomendou a Lúcia Brandão. Foi um encontro feliz de poucas palavras e com praticamente nenhuma informação pessoal. Ela leu o texto, fez as ilustrações baseadas na própria sensibilidade e intuição e assim conseguiu reproduzir com impressionante exatidão algumas particularidades de familiares, preferências do Caio e até características posturais e corporais minhas.

A Lúcia desenvolveu todo o trabalho sem qualquer interferência ou sugestão, baseado apenas nas próprias percepções e inspirações e o resultado se transformou em mais um álbum de fotografias da família colorida.

5 – Fale um pouco sobre seus projetos futuros e deixe uma mensagem para seus futuros leitores e leitoras.

O livro foi escrito há três anos e teve como objetivo recontar o encontro entre a mãe colorida e o filho azul, que hoje já tem 13 anos.

Bem sabemos que a vida não para e, portanto, outros lances importantes foram acontecendo ao longo do tempo e certamente o mais importante foi a chegada da Eduarda, a nossa alegre e cheia de personalidade Duda.

Acho que a relação entre a Duda e o Caio merece mais do que um capítulo, no mínimo um livro.

Gratidão! Zilah