Entrevista com Lúcia Brandão, a ilustradora de “O menino azul e a família colorida”

O lançamento de “O menino azul e a família colorida” acontecerá neste fim de semana, dia 25 de janeiro, em Avaré – SP, com a presença da autora Zilah Ramires, e da ilustradora Lúcia Brandão. Nesse clima de chegada de livro, às vésperas dos autógrafos e dos novos leitores, Lúcia, já com uma carreira que remonta anos e muitos trabalhos, concedeu uma entrevista aqui para o blog da Contracorrente.

Vamos conferir:

Lúcia, conta um pouco para a gente sobre você e sua carreira como ilustradora. Quando começou? Quais seus principais trabalhos?
Lúcia – Aos 17 anos avisei minha mãe que era hora de ter meu próprio trabalho, preparei um portfólio e fui à Folha de São Paulo, que era o jornal que eu comprava e lia diariamente. O editor do caderno de domingo me passou uma ilustração de quase uma página sobre a vinda de Oscar Peterson para o Brasil. Fiquei muito assustada com o desafio,  mas encarei e a partir daí não parei. Fui colaboradora do jornal por alguns anos e também passei a ilustrar diversas revistas como a VEJA, CAPRICHO, MARIE CLAIRE, ÉPOCA e outras durante muito tempo. Em 84, comecei a ilustrar livros para a FTD, ÁTICA, SCIPIONE e tantas outras. Com o tempo fui naturalmente me dedicando aos livros para crianças.
Fiz muitas capas para clássicos da literatura brasileira e internacional, principalmente pela editora Ática e biblioteca Folha. Ilustrei livros da Ana Maria Machado, Illan Brenman, Tino Freitas, Caio Riter, Jonas Ribeiro e muitos outros. Um que me marcou foi a ilustração do livro para crianças do Fernando Sabino, acompanhado pessoalmente por ele. Quando estava finalizando o livro, ilustrando a capa com a TV ligada, vejo no noticiário, que ele acabara de morrer. Foi uma sensação única, um choque. Fiquei muito triste.  Um dia vou fazer as contas, mas foram muitas dezenas de livros, uma vida inteira de muitas emoções, desafios e alegrias.

Agora vamos falar sobre “O menino azul e a família colorida”. Quando a autora Zilah entrou em contato com você e mostrou a história, quais foram suas primeiras ideias?
L – Quando recebo um texto para ilustrar, leio com muito envolvimento emocional. Fico com a história e vou para minhas atividades na chácara. Não tento pensar em soluções gráficas. Deixo vir naturalmente o estilo, as cores, a aparência dos personagens etc. Vão me aparecendo internamente e quando já tenho algumas definições, inicio o processo gráfico de passar tudo para o papel, experimentando diversas soluções até que vai se compondo a ilustração do livro.

Quanto tempo levou todo o processo de ilustração? Você tem uma ilustração preferida dentro do livro?
L – Não me recordo agora, foram alguns meses.
Por ser um tema novo para mim, levei mais tempo, pesquisando, refazendo, buscando a melhor abordagem. Fiquei absolutamente encantada. Muito carinho envolvido!

Olhando hoje, para o resultado da edição do selo Do Contra, qual o principal sentimento?
L – Ah, muita alegria!! Gratidão pela confiança que depositaram em mim.
Feliz em ver esse livro tão especial fazendo parte da vida de tantas famílias, levando esse olhar tão delicado e sensível da Zilah, tocando corações.

Sabemos que a carreira de ilustrador no Brasil tem seus desafios, o que você diria para os novos profissionais que estão começando agora nessa área?
L- Sim, temos cada vez mais profissionais nessa área.
Eu diria que é uma profissão linda, gratificante e que nunca desistam! Sejam autênticos, buscando estilo próprio. A originalidade, a expressão genuína da linguagem pessoal é o que mais toca todo tipo de público. Desde já, muito obrigada pela disponibilidade.


O Menino Azul e a família colorida, é o livro de estreia do selo Do Contra, que publicará exclusivamente livros infantis. Você pode adquirir o seu por este link.

O lançamento será no Café Cravo & Canela – Av. Gilberto Filgueiras, 419 – Avaré
25.01 | 16h